sábado, 30 de dezembro de 2017

Top 10-Melhores Filmes de 2017

Com o fim do ano, resolvi postar minha lista dos 10 melhores filmes que assisti em 2017. Cada um deles possui um breve comentário, não há ordem de preferência (todos são muito bons, alguns excelentes, tente descobrir qual é qual). Após a lista dos 10 melhores, postarei também uma lista com todos os filmes que assisti no ano. Excelentes, ótimos, bons, ruins, medíocres e puta merda que lixo. Também com pequenos comentários. Agradeço a todos que leram meus textos ao longo do ano, feliz 2018!

Melhores de 2017:

T2-Trainspotting-Dirigido por Danny Boyle

Continuação de um dos filmes mais emblemáticos dos anos 90, "T2-Trainspotting" é uma das melhores continuações já feitas. Mostrando a evolução dos personagens apresentados no 1o filme e exibindo uma perspectiva madura e realista (ninguém que se envolveu tanto com heroína na juventude como os personagens, poderia sair sem sequelas). Além disso, é um filme que faz o espectador rir e chorar em doses cavalares. Tudo isso culmina no novo discurso de Choose Life do personagem Renton (Ewan Mcgregor). Uma das melhores coisas do cinema de 2017.




Silêncio (Silence)-Dirigido por Martin Scorsese
Martin Scorsese é na minha opinião, o maior diretor ainda vivo. Seus filmes retratam a violência existente dentro do ser humano, sempre com a ótica de sua formação católica. Seu novo filme, "Silêncio", une as duas coisas. Falando sobre a natureza da fé, em meio a um cenário de violência e intolerância. Quase como uma viagem ao inferno, aos moldes de "Apocalypse Now" (tendo até mesmo, uma figura a lá Kurtz de Marlon Brando: o padre renegado vivido por Liam Neeson). A grande lição que fica ao final da projeção, é que a fé nada mais é um do que um ato silencioso. Por mais que se possa externaliza-la, nada substituí o que é sentido no âmago do ser. E como a filmografia de Scorsese demonstra, muitas vezes este se encontra preenchido por violência.










Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)-Dirigido por Edgar Wright

Poucos diretores jovens possuem uma filmografia tão impecável quanto Edgar Wright. Que mesmo tendo em sua maioria comédias (um gênero subestimado em Hollywood), sempre fez trabalhos sensacionais. Das paródias dos filmes de zumbi/policial/alienígenas até "Scott Pilgrim", tudo pareceu culminar "Em Ritmo de Fuga". Filme que pega uma história já vista inúmeras vezes, mas que recebe um frescor de originalidade pelo roteiro meticuloso e a direção inspirada de Wright. Que adicionou um elemento novo: música. Praticamente um musical de ação, "Em Ritmo de Fuga" é um filme que veio pra ficar.






Corra (Get Out)-Dirigido por Jordan Peele

O ano apresentou inúmeros filmes de terror, mas nenhum foi tão comentado e discutido quanto "Corra". Creio que a razão pela qual isso ocorreu, foi devido ao fato de não ser um filme de terror. Mas sim sobre um terror. Que assola os Estados Unidos (e claro, o Brasil) desde a sua formação: o racismo. A maneira com a qual o filme aborda o tema, é simplesmente primorosa. Um dos longas que mais valem a pena rever para pegar as inúmeras pistas escondidas, além dos comentários sutis escondidos em cada cena. Não creio que "Corra" irá assusta-lo, pois este não é o objetivo. E sim, horroriza-lo para este fantasma que infelizmente ainda existe




Logan-Dirigido por James Mangold

Apresentado como o último filme de Hugh Jackman como Wolverine, "Logan" é uma experiência equiparável a música que embalou seu trailer, "Hurt" (o cover de Johnny Cash). Um longa duro, nostálgico, ciente dos erros do passado (os dois péssimos filmes anteriores) e com coração. Apresentando versões mais velhas de Logan (Hugh Jackman) e Xavier (Patrick Stewart), enquanto se veem fugindo de mercenários para proteger uma menina (Dafne Keen). O filme reflete muito sobre a natureza do assassinato, sobre o desgaste do tempo e sobre a criação de um legado. Não é perfeito, mas nem o personagem título era. Não se enganem, nas imperfeições de personagens até então intocados que "Logan" tem seus méritos.




Planeta dos Macacos: A Guerra (War For The Planet of the Apes)-Dirigido por Matt Reeves

A lista não tem ordem de preferência alguma, no entanto devo dizer que "Planeta dos Macacos: A Guerra" talvez seja meu favorito do ano. O fim de uma trilogia que começou de maneira inocente, mas que aos poucos ganhou um caráter maduro e inteligente. Fazendo alusões a temas como o nazismo, escravidão, o ubermensch de Nietzsche, entre tantos outros. Além disso, poucas vezes vemos um blockbuster com tanta paciência para construir arcos de personagens, mais raro ainda encontrar um filme com um vilão tão interessante (e coerente na sua proposta). Se for mesmo o fim da série, fico satisfeito. Poucas trilogias se encerram de maneira tão digna.




A Ghost Story-Dirigido por David Lowery

Histórias de fantasmas sempre acompanham tensão e terror, mas esse não é o caso de "A Ghost Story". Filme que acompanha a jornada de um falecido (Casey Affleck), em aceitar que sua esposa (Rooney Mara) continuará a viver sem ele. Nas mãos de um diretor menos obstinado, o filme poderia virar um clichê romântico. Mas a verdade, é que "A Ghost Story" é tudo menos ordinário. Tendo pouquíssimos diálogos, apostando em cenas sem cortes (como a já famosa cena na qual Rooney Mara devora uma torta) e confiando na inteligência do espectador em sentir o filme. Logo, percebe-se que "A Ghost Story" é muito menos um filme sobre amor e mais sobre a existência. Reconheço, o filme não é fácil de se assistir. No entanto, é uma reflexão que vale muito a pena (e que permanece com o espectador, dias após assistir o longa).






It: A Coisa-Dirigido por Andy Muschietti

Enquanto "Corra" se destacou como a grande surpresa de terror do ano por ser um filme diferente dos demais, "It" apostou com excelência no horror mainstream. Adaptando o livro de Stephen King de uma maneira mais violenta e crua do que o telefilme de 1990. Transpondo os acontecimentos macabros da cidade de Derry para os anos 80, mas preservando o grande destaque do livro de King: o relacionamento entre as crianças. Cada uma delas é bem desenvolvida, tendo suas respectivas motivações e medos distintos. Além disso, o Pennywise interpretado por Bill Skarsgard é genuinamente assustador. Nisso resta o trunfo de "It": perto dos terrores mundanos vividos pelas crianças (bullying, abuso dos pais, preconceito), um palhaço demoníaco é uma mera brincadeira.




Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars The Last Jedi)-Dirigido por Rian Johnsson

Curiosamente, um dos filmes que mais dividiu espectadores no ano de 2017, o novo Star Wars é um longa-metragem acima da média. Abordando diversos temas relevantes, construindo arcos narrativos fascinantes, apresentando um Luke Skywalker (Mark Hamill) com possibilidades incríveis na saga. Tem seus problemas (como já falei na crítica), mas não retira o impacto. Aliás, acho sensacional que um filme blockbuster desses esteja gerando tanta discussão. Só por isso, conferir "Os Últimos Jedi" já valeria a pena.




Dunkirk-Dirigido por Christopher Nolan

Uma experiência imersiva de guerra. Assim poderia se resumir, "Dunkirk". Novo filme de Christopher Nolan, que busca em três polos narrativos distintos mostrar o que foi a batalha de Dunkirk. Para isso, Nolan não desperdiça tempo. Não há personagens verborrágicos (na verdade, sequer há tanto diálogo assim), não há espaço para humor ou de heroísmo. Sobrevivência é a palavra que dita o rumo dos personagens. Somando isso às impecáveis cenas de batalha, a trilha sonora de Hans Zimmer e os efeitos práticos, têm-se um filme deslumbrante. Que apesar de não conectar o espectador com a história de cada um de seus personagens, une-os pelo instinto de sobrevivência.



Todos os Filmes Assistidos em 2017:


Liga da Justiça (Justice League)-Dirigido por Zack Snyder: 8,5
Filme que reúne os grandes heróis do universo Dc é leve, descompromissado, divertido e redondo. Não se arriscando em fazer um filme mais complexo, mas sem defeitos narrativos. Apresentando personagens carismáticos, um clímax empolgante e um futuro promissor pros personagens.

Bright-Dirigido por David Ayer: 7
Último filme lançado pela Netflix em 2017, é divertido, apresenta uma mitologia interessante e tem personagens carismáticos. Além disso, discute temas interessantes dentro de uma história com viés de fantasia. Uma pena que o último ato seja tão apressado e mal resolvido.

Star Wars VIII-Os Últimos Jedi (The Last Jedi)-Dirigido por Rian Johnsson: 8,5
Novo Star Wars aposta alto, entregando momentos arrepiantes e belos. Além de possuir uma das direções mais seguras da saga. Possui inúmeras falhas, mas é um filme que honra a saga Guerra nas Estrelas.

Mulher Maravilha (Wonder Woman)-Dirigido por Patty Jenkins: 8
Primeiro grande filme de uma super-heroína pode não se arriscar. Mas provoca discussões de gênero, apresenta uma protagonista forte no qual todos podem se espelhar, possui um roteiro redondo e divertido. Um marco para a Dc e para os filmes de super-heróis.

Logan-Dirigido por James Mangold: 9
Novo filme do personagem Wolverine é um grande epitáfio. Sem se render a clichês de filmes de super-heróis, mostrando as consequências do ato de matar alguém (sem economizar sangue), com um elenco excepcional e momentos emocionantes.

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes)-Dirigido por Matt Reeves: 10
Terceiro filme da história do macaco César (Andy Serkis) é um desbunde. Misturando discussões antropológicas importantes, apresentando uma sensibilidade inacreditável (ainda mais se considerarmos que estamos vendo um blockbuster), com influências em inúmeros gêneros (filme de guerra do Vietnã, faroeste, filme bíblico, drama histórico de escravidão) e com um elenco fantástico. Particularmente, meu blockbuster favorito do ano.

I Love You, Daddy-Dirigido por Louis C.K: 5
Novo filme de Louis C.K vem acompanhado de polêmicas externas ao seu conteúdo, por isso já poderia ser relegado ao esquecimento. Mas a verdade, é que não precisaria de polêmica alguma para perceber que "I Love You Daddy" é mais um filme que tenta se aproveitar do "machismo artístico" (presente em várias obras do ídolo de C.K, Woody Allen). Não bastasse a mensagem errada, o humor do filme é completamente estúpido.

O Matador-Dirigido por Marcelo Galvão: 5
Filme brasileiro produzido com a Netflix, é estilo sobre conteúdo. Nada mais, nada menos.

Twin Peaks The Return-Dirigido por David Lynch: 8
Vendida como série, mas ressaltada por David Lynch como um filme de 18 horas, o retorno de Twin Peaks é um prodígio. Brincando com expectativas, apresentando uma direção inacreditável, presenteando os fãs mais pacientes e traçando novos rumos pra o mythos da cidadezinha americana.

O Círculo (The Circle)-Dirigido por James Ponsoldt: 6
Filme tem elenco magistral e história interessante, porém vacila no final pela sua falta de ambição.

A Babá (The Babysitter)-Dirigido por Mcg: 5
Mistura de comédia e terror, novo filme de Mcg (de "As Panteras") tenta soar inteligente mas é apenas mais um filme adolescente estúpido. Apesar disso, pra quem quer ver um filme sem medo de mostrar gore, fica a recomendação.

Power Rangers-Dirigido por Dean Israelite: 4
A ideia era péssima, as primeiras imagens revelavam um visual nada interessante e dito e feito: é um belo fracasso. Protagonistas sem qualquer desenvolvimento, cenas de ação enfadonhas e piadinhas envolvendo masturbar ovelhas (o que você leu). Como alguém gosta disso?

David Lynch-The Art Life-Dirigido por Jon Nguyen e Rick Barnes: 7,5
Documentário apresenta uma visão interessante sobre o maior cineasta surrealista americano, porém acaba soando apressado ao abordar a filmografia de Lynch.

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)-Dirigido por Mel Gibson: 7
Novo filme de Mel Gibson é brega, incrivelmente violento e recheado de frases de efeito. Mas fato: Gibson filma como poucos. Direção, montagem, edição de som, tudo beira a perfeição. A impressão que fica ao final, é que se um diretor menos exagerado estivesse comandando, o roteiro ficaria sem tanta gordura.

Viagem no Tempo (Voyage of Time)- Dirigido por Terrence Malick: 6
Malick faz filme visualmente impressionante, mas que soa simplesmente redundante ao analisado lado a lado com sua filmografia (por que fazer um filme que é quase como uma versão estendida da primeira meia hora de "A Árvore da Vida"?). O que gera a impressão no espectador, que um dos maiores diretores americanos está iludido pela beleza das imagens captadas e esquece do restante.

Homem Aranha-De Volta ao Lar (Spider Man Homecoming)- Dirigido por Jon Watts: 6
Inegável: o elenco é formidável, a paleta de cores é fantástica e o filme tem carisma suficiente pra formar uma nova geração de fãs do cabeça de teia. Mas por que torna-lo tão burro? Percebam como se o herói não tivesse agido, TODAS os conflitos criados pelos vilões teriam sido sanados (sem exagero, tente assistir e pensar o que ocorreria se o Aranha não tivesse interferido). Ainda assim, um filme agradável que deve agradar crianças.

Thor Ragnarok-Dirigido por Taika Waititi: 5
A grande promessa da Marvel de 2017, é um festival pra alunos da quinta-série: porrada, piadinhas com bunda e peido, Immigrant Song e cores. Não compensam um filme que não sabe onde quer ir, não tem qualquer desenvolvimento de personagem, não tem cenas de ação tão empolgantes assim e tem um cgi incrivelmente porco. E cá entre nós: "o martelo não é importante, filho", o cacete.

Guardiões da Galáxia Volume 2-Dirigido por James Gunn: 8
Continuação de uma das maiores surpresas da Marvel, mantém o mesmo nível do 1o. Apostando em desenvolver melhor seus personagens, dar um grau de seriedade um pouco maior a cada um deles, apostando em cenas de ação espetaculares (tanto em ritmo quanto em beleza). Um belo blockbuster, como poucos lançados este ano.

A Ghost Story-Dirigido por David Lowery: 9
Filme faz uma reflexão sobre a natureza da dor e do luto, nosso papel no universo e o conceito de eternidade. Tudo isso, na figura de um jovem casal que de repente se vê separado pela morte de um deles. Belo, lento e triste, "A Ghost Story" é um poema filmado.

Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)- Dirigido por Edgar Wright: 10
Edgar Wright mais uma vez comprova sem talento, fazendo uma verdadeira aula de cinema. Brincando com montagem, som, edição, direção, coreografia e roteiro. Junte-se a isso um dos elencos mais formidáveis dos últimos anos, e tem-se o filme mais redondo do ano.

Dunkirk-Dirigido por Christopher Nolan: 8,5
Novo filme de Nolan aposta no preciosismo técnico, mas acaba se prejudicando por conta da falta de empatia dos personagens ou mesmo desenvolvimento destes.

Assassin's Creed-Dirigido por Justin Kurzel: 5
Mais um filme baseado em games que se perde nas suas propostas.

John Wick Um Novo Dia Para Matar (John Wich Chapter 2)- Dirigido por Chad Stahelski: 9
Filme estrelado por Keanu Reeves é praticamente um musical de ação. Apostando em coreografias fantásticas, direção magistral, bom humor e um background fantástico do submundo dos assassinos. Que venha o 3o filme.

La La Land-Dirigido por Damien Chazelle: 7
Grande queridinho do Oscar de 2017 é um filme bobinho, com bons atores e um enredo sem ambição.

Mãe! (Mother!)-Dirigido por Darren Aronofsky: 8
Aronofsky faz mais um filme incômodo e com inclinações dogmáticas religiosas. Por vezes se perdendo em sua trajetória, mas resultando num belo trabalho.

Batman vs Duas Caras (Batman vs Two Face)-Dirigido por Rick Morales: 8
Último trabalho de Adam West é tudo que promete: uma homenagem divertida a série de tv dos anos 60 do Batman. Além disso, uma animação incrivelmente bem feita e colorida.

Jogo Perigoso (Gerald's Game)-Dirigido por Mike Flanagan: 7,5
Adaptação de história de Stephen King, não economiza no sadismo e violência. Tendo como grande destaque, a atuação da subestimada atriz Carla Gugino.

IT: A Coisa-Dirigido por Andy Muschietti: 8,5
Melhor filme de terror mainstream do ano, faz o paralelo entre horrores da vida real e sobrenatural.

Kingsman 2-Dirigido por Matthew Vaughn: 8
Pode não ser bom como o filme anterior, mas "Kingsman 2" é um prato de diversão. Com belas cenas de ação e um ótimo elenco.

Jim e Andy-Dirigido por Chris Smith: 8
Documentário da Netflix é complemento fascinante ao maravilhoso "O Mundo de Andy". Mostrando toda preparação e efeitos causados por Jim Carrey em interpretar Andy Kaufman.

As Aventuras do Capitão Cueca (Captain Underpants: The First Epic Movie)-Dirigido por David Soren: 7
Animação bobinha possui visual impecável, piadas feitas para o público infantil e senso de imaginação.

The Meyerowitz Stories-Dirigido por Noah Baumbach: 7
Novo filme de Noah Baumbach possui grande elenco, mas história visivelmente inchada. Diversas passagens do roteiro podendo ser reduzidas, apostando que apenas o carisma dos atores poderia suprir o excesso de situações que não tem relevância para a história.

Batman e Arlequina (Batman and Harley Quinn)-Dirigido por Sam Liu: 3
Nova animação da Dc é pavorosa. Recheada de piadas sexistas e envolvendo peido, reduzindo mulheres a corpos bonitos estúpidos e com uma história desinteressante.

Death Note-Dirigido por Adam Wingard: 1
Pior filme do ano. 

Bingo-Dirigido por Daniel Rezende: 8
Filme brasileiro possui bela direção e uma das melhores atuações do ano, vinda de Vladimir Brichta.

A Torre Negra (The Dark Tower)-Dirigido por Nicolaj Arcel: 7,5
Adaptação da série de livros épica de Stephen King faz versão resumida da história, tem personagens fascinantes e ação econômica.

Baywatch-Dirigido por Seth Gordon: 6
Novo filme protagonizado por Dwayne Johnsson diverte, mas não chega aos pés de outras paródias recentes como "Anjos da Lei".

De Canção em Canção (Song to Song)-Dirigido por Terrence Malick: 6
Novo filme de Malick comprova que se o diretor texano não perceber seus equívocos, sua filmografia passará a ser lembrada por filmes medíocres como este.

Fome de Poder (The Founder)-John Lee Hancock: 8
Estrelado por Michael Keaton, "Fome de Poder" mostra com uma direção dinâmica a fascinante história de criação do Mc Donald's.

Jackie-Dirigido por Pablo Larrain: 9
Filme que retrata os dias de Jacqueline Kennedy após o assassinato de seu marido (o então presidente dos Eua, John Kennedy), tem grande atuação de Natalie Portman, reflexão mórbida e direção magistral de Pablo Larrain

Brawl in Cell Block 99-Dirigido por S.Craig Zahler: 8
Novo filme de S.Craig Zahler (após o magnífico "Bone Tomahawk"), resgata o gênero dos filmes de prisão dos anos 70. O roteiro poderia ser mais polido (alguns diálogos soam redundantes), porém toda a atmosfera sombria e os personagens duros compensam a experiência.

Nunca Diga Seu Nome (The Bye Bye Man)-Dirigido por Stacy Title: 1
Poucas vezes um filme de terror recheado de jump scares deu tanto sono.

Corra (Get Out)-Dirigido por Jordan Peele: 9
Filme de terror mais original do ano, reflete sobre o racismo e confirma Jordan Peele como um diretor de 1a categoria.

Gaga-Five Foot Two-Dirigido por Chris Mourkarbel: 8
Documentário da Netflix acompanha a carismática cantora, detalhando sem medo de julgamentos a trajetória de lançamento do seu novo álbum.

Blade Runner 2049-Dirigido por Dennis Villeneuve: 5
Continuação é pastiche do "Blade Runner" original, sem conseguir desenvolver temas ou ao menos mostrar um roteiro interessante.

A Múmia (The Mummy)-Dirigido por Alex Kurtzman: 5
Uma oportunidade perdida. Nada menos.

Rei Arthur (King Arthur)- Dirigido por Guy Ritchie: 6
Novo filme de Guy Ritchie tem elenco magnífico, mas se perde num emaranhado de elementos narrativos que não parecem conversar entre si.

Silêncio (Silence)- Dirigido por Martin Scorsese: 10
Novo filme de Scorsese retoma tema antigo da filmografia do diretor, apresenta uma história magnífica e é tecnicamente impecável.

Fragmentado (Split)- M. Night Shyamalan: 8
Novo filme de Shyamalan alegra os fãs antigos do diretor, apostando na história de um super-vilão.

Internet O Filme-1
Não assistam.

The Void-8
Filme de terror aposta em efeitos especiais práticos, muito sangue e gore, além de ter inspiração em Lovecraft. Pros fãs como eu, um verdadeiro deleite.

Liga da Justiça Sombria (Justice League Dark)-Dirigido por Jay Oliva: 7,5
Nova animação da Dc tem história interessante, personagens carismáticos e uma proposta boa. Mas a impressão que fica ao final, é que faltou coragem pra ir além.

T2: Trainspotting-Dirigido por Danny Boyle: 10
Continuação de clássico dos anos 90, é magnífico. Desenvolvendo temas do filme anterior, amadurecendo personagens e sem medo de mostrar visão realista.

Lego Batman-Dirigido por Chris Mckay: 8
Novo filme da franquia lego, tira sarro do homem-morcego e de todas as suas mídias na cultura pop. Pros fãs, um deleite. Pras crianças, nem tanto.

Manchester à Beira mar (Manchester by the Sea)-Dirigido por Kenneth Lonergan: 8,5
Filme triste tem grandes atuações e uma história dura.

A Vigilante do Amanhã (Ghost in the Shell)-Dirigido por Rupert Sanders: 8
Remake live-action de animação japonesa não tem a força do original, mas é respeitoso a este e tem visual impecável.

Vida (Life)-Dirigido por Daniel Espinosa: 7
Filme de infecção alienígena é competente, mas aposta em todos os clichês do gênero (sem exagero, todos).

Konga: a Ilha da Caveira (Kong: Skull Island)-Dirigido por Jordan Vogt-Roberts: 6
Assumidamente um filme B, "Kong" é divertido e insignificante.

Alien Covenant-Dirigido por Ridley Scott: 8
Novo filme da franquia Alien, tem trama sangrenta, desenvolvimento dos temas de "Prometheus" e visual impecável.

A Bela e a Fera (Beauty and the Beast)- Dirigido por Bill Condon: 5
Transposição live-action de clássico da Disney, se limita a versão genérica do original.

A Lei da Noite (Live By Night)- Dirigido por Ben Affleck: 8
Com trama sobre a mentira do "sonho americano", Ben Affleck dirige belo filme de gângster. Porém, faltou desenvolver seu insosso protagonista (interpretado por ele mesmo).

Okja-Dirigido por Bong Joo Hon: 7
Filme da Netflix dirigido por uma das maiores revelações do cinema coreano, é divertida e tem mensagem interessante. Mas fica a impressão, de que a ideia foi melhor do que a realização desta.


sábado, 23 de dezembro de 2017

Top 10-Piores Filmes de 2017

O ano está acabando, chega a hora de rever as coisas boas que nele aconteceram. No entanto, eu  acho importante refletir sobre as coisas ruins antes. Portanto, antes de fazer a lista dos melhores filmes de 2017, fiz a humilde lista dos 10 filmes lançados este ano que mais detestei.

Death Note-Dirigido por Adam Wingard:
Lançado pela Netflix, "Death Note" é simplesmente um fenômeno. O filme é tão ruim, que até as críticas de "whitewashing" sumiram após os fãs assistirem o conteúdo final. O longa possui os personagens mais estúpidos do ano, o ritmo do filme é inacreditavelmente incoerente (diversos momentos fazem o espectador se perguntar "por que estou vendo isso?"), o roteiro é recheado de frases estúpidas e ainda por cima diversas cenas não conversam entre si. Como no fantástico momento, no qual um personagem acorda de um coma, e momentos depoisoutra pessoa entra no seu quarto batendo na porta (considerando que o paciente tava em coma segundos antes, qual a resposta que ele esperava ao bater na porta?). Simplesmente medíocre, assistam como se fosse uma comédia. Há uma crítica escrita no blog, para ler clique aqui.



Internet O Filme-Dirigido por Fillippo Cappuzzi Lapietra
Um filme que mostra youtubers numa convenção. O que poderia dar errado? É uma comédia sem graça, preconceituosa (em determinado momento, amigos apostam um prêmio pro primeiro que pegar a moça negra e gorda), com personagens que beiram o ridículo (todos os youtubers fazem versões deles mesmos, só que com q.i de um hamster). Simplesmente, abominável. Não gaste seu tempo assistindo.



Blade Runner 2049-Dirigido por Dennis Villeneuve
Alguns de vocês devem estar se perguntando da razão pela qual botei este filme. Já falei muito na minha crítica, mas a verdade é que meses depois de assistir (dando tempo pra refletir melhor as ideias), ainda não consigo gostar de "Blade Runner 2049". Tem um visual impecável, atores muito bons e uma trilha sonora okay. Mas tudo parece ser uma versão genérica do "Blade Runner" original. Os diálogos são completamente expositivos, os personagens fazem ações que não conversam com o que pensam (o personagem de Jared Leto, que lamenta não conseguir fazer mais replicantes, mas mata todos que encontra), a ação é patética (assistam a cena de luta na água, parece que faltou orçamento pra fazer algo melhor). E o pior de tudo: o tempo todo tenta-se emular o original. Na minha sessão, quando surge o momento lágrimas da chuva genérico, tive certeza: este filme é um replicante patético do original. Escrevi uma crítica sobre, para ler clique aqui.





Thor Ragnarok-Dirigido por Taika Waititi
Esse é um filme que lamento ter que botar na lista, pois me lembro bem do 1o trailer lançado. O grande problema de "Thor Ragnarok" é não levar nada a sério. Os personagens, a mitologia do Thor, as cenas de ação, nada tem relevância. E ainda por cima, nada é de fato memorável. Não há uma cena de ação marcante, os personagens são todos versões engraçadinhas dos apresentados nos filmes anteriores (aliás, este não parece ser o Thor dos "Avengers"), nem o humor é tão bom assim (como alguém faz uma comédia desperdiçando Jeff Goldblum? Que é limitado a apertar um botão na história). O auge pra mim, foi quando falam "o martelo não é importante". Aí tive certeza, que "Thor Ragnarok" é tão decente quanto "Homem de Ferro 3". Escrevi uma crítica sobre, para ler clique aqui.




Batman e Arlequina (Batman and Harley Quinn)-Dirigido por Sam Liu
Outro que dói em botar na lista. Todos sabem que sou grande fã do Batman, leio as histórias, assisto os filmes e as animações. Estas últimas, sempre mantiveram um grau de qualidade altíssimo. Seja na série animada (que é feita por Bruce Timm, o mesmo roteirista desse filme), ou nos filmes animados. O último lançado, "Batman e Arlequina" é um filme sexista, estúpido e sem graça. Diversas cenas reduzem as personagens femininas a gostosas burras, o filme é recheado de piadas com pum (o que vocês ouviram) e a história é completamente desinteressante.



A Múmia (The Mummy)-Dirigido por Alex Kurtzmann
A ideia era ótima. Uma versão atual de "A Múmia" com um viés mais para o terror. Ainda estrelado por Sofia Boutella (o grande destaque de "Kingsman"). Como diz o ditado, de boas intenções o inferno está cheio. É um filme de terror patético, a ação do filme é desgovernada, a tentativa de criar um universo compartilhado dos monstros não serve pra nada. Uma pena, visto que a ideia era excelente e todos os envolvidos muito talentosos.





Power Rangers-Dirigido por Dean Israelite
A prova definitiva que certas coisas devem manter seu formato original. Tentando trazer aos cinemas uma versão "sombria e realista" dos Power Rangers da Tv, o filme nunca convence. O elenco é forçado, a ação não empolga (e demora a aparecer), o espectador tem que aturar dezenas de piadas infames (uma envolvendo um rapaz ordenhar um boi, isso que você leu). A grande pergunta que fica ao final, é: por que??


De Canção em Canção (Song to Song)-Dirigido por Terrence Malick
Sou muito fã da filmografia de Terrence Malick. No entanto, seu último bom filme foi "Amor Pleno". Este "De Canção em Canção", parece ter sido um filme com uma mensagem interessante. Mas a montagem estranha do diretor (mudando diversas coisas que estavam no roteiro enquanto monta o filme), aliada ao voice over interminável só prejudicaram o filme. Que não tem história, não tem mensagem, sequer tem personagens bem desenvolvidos. A impressão, é que estamos vendo um comercial de perfume. Belíssimo, mas chato em igual proporção.




Assassin's Creed-Dirigido por Justin Kurzel
Mais um filme de games ruim. Mal-feito, sem personagens interessantes, sem conseguir explicar a mitologia do jogo. E incrivelmente chato. Não vale a pena gastar mais palavras. Quer saber mais, tem uma crítica no blog feita por alguém que é fã do jogo. Para ler, clique aqui.



A Babá (The Babysitter)-Dirigido por Mcg
Mais um filme produzido pela Netflix, dessa vez uma comédia misturada com terror. Dirigido por Mcg (de "As Panteras"), "A Babá" tenta fazer uma mistura de terror e comédia. Como se o menino de "Esqueceram de Mim" lutasse contra satanistas. Além de nenhum dos dois gêneros se saciar plenamente, o filme ainda é machista e sexista. Achou que "Esquadrão Suicida" tratava as personagens femininas como meros pedaços de carne? Vai parecer uma continuação de "As Sufragistas" comparando "A Babá".



domingo, 17 de dezembro de 2017

Crítica: Star Wars VIII-Os Últimos Jedi



Dois anos após a estréia de "O Despertar da Força", o novo Star Wars chega aos cinemas. Continuando a história de Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega), Kylo Ren (Adam Driver), Poe Dameron (Oscar Isaac), enquanto a guerra da Resistência contra a Primeira Ordem continua. Restando a Leia (Carrie Fisher) solicitar a Rey que resgate Luke Skywalker (Mark Hamill) de seu auto-exílio.

Por mais que botando dessa maneira, a história pareça simples, "Os Últimos Jedi" é um dos filmes da saga com mais plots diferentes se alternando. Fica muito claro que diferente dos filmes anteriores, o longa possui múltiplos protagonistas. Por mais que Rey possua a força, ela é tão importante quanto Finn ou até mesmo Kylo Ren. O que se percebe, é que tanto ela quanto o filho de Han Solo (Harrison Ford) e Leia (Carrie Fisher) são os símbolos máximos pra demonstrar a grande batalha entre o lado sombrio e a luz. Cada um com sua história, ambos tendo seus respectivos traumas e sem saber onde se encaixa em toda sua jornada nos caminhos da força.

Confesso, é difícil falar sobre o filme sem dar spoilers. Mas não se preocupe, a crítica não revelará nada.



Importante mencionar, que Rian Johnsson é um diretor cuja filmografia é incrivelmente competente. E seu longa na saga Star Wars não faz feio. É um filme cujo ritmo é incrivelmente ágil, em momento algum das duas horas e meia o espectador fica entediado. Constantemente a tensão das situações é quebrada por um alívio cômico bastante pontual (e lembrem-se: sou extremamente crítico de alívios cômicos. Qualquer leitor que já pode ver meus comentários sobre um filme da Marvel sabe disso), o que faz com que o filme jamais fique com o verniz chato do "Episódio III-A Vingança dos Sith".

Outro aspecto digno de nota, é a escala apresentada. As naves, batalhas, cenários todas transbordam epicocidade. O que só é ressaltado, pela magnífica fotografia de Steve Yedlin (colaborador de todos os filmes anteriores de Rian Johnsson). Que ajuda a ressaltar a tensão, beleza, contemplamento de cada cena.

O elenco mais uma vez apresenta-se como o grande trunfo, aspecto esse que eu já havia ressaltado em "O Despertar da Força". Portanto, me limitarei a falar apenas do grande destaque de "Os Últimos Jedi": Luke Skywalker, interpretado por Mark Hamill. É impressionante como o ator consegue com poucos gestos, demonstrar que aquele é o mesmo personagem que da trilogia clássica (percebam o seu olhar quando um certo personagem o traz uma mensagem nostálgica) mas ao mesmo tempo calejado por suas escolhas. Optando por uma expressão constantemente triste, o Luke apresentado aqui é um homem que mesmo após ter realizado tantas façanhas inacreditáveis, reluta em ser visto como uma lenda. 




Muitos estão apontando as cenas de batalha, os (inúmeros) plot twists como a melhor coisa do filme. Mas ao meu ver, o coração deste está na cena onde Luke mostra a Rey o poder da Força. Mostrando vida, morte e como que em ambos existe um equilíbrio e um ciclo. Além da cena ser herdeira direta dos ensinamentos de Yoda a Luke em "O Império Contra-Ataca", ainda é recheada de imagens belíssimas que simulam a visualização dos jedi dos poderes da Força. 

O filme não é perfeito, particularmente acredito que o roteiro possua alguns deméritos que não podem ser ignorados. Não citarei-os especificamente, pois constituem em spoilers. Mas resta dizer que um elemento que é praticamente a ignição de todo o novo conflito apresentado no filme anterior, é relegado a nada. Sem qualquer profundidade ou background. É aquilo por ser. E entendo que Star Wars é uma franquia que tem mil livros, quadrinhos, desenhos extras que funcionem como apêndices a história. Ainda assim, acredito que o filme tenha que sobreviver por si só (como os episódios 4, 5 e 6 faziam) portanto, a solução apresentada é pífia. Um ponto que foi muito criticado em "Liga da Justiça", mas que aqui ninguém ousou comentar ainda. Se você quiser saber especificamente o que é, com spoiler e tudo: sublinhe o espaço abaixo da nota que darei ao filme.

Existem outros problemas: personagens que não possuem relevância alguma pra trama que surgem (e que são apenas, amados pelos fãs por conta do visual), várias gorduras no roteiro e diálogos expositivos. Mas não se preocupe: "Os Últimos Jedi" é um ótimo filme. Pode não ser redondo como "O Despertar da Força", mas arrisca novos caminhos que são muito interessantes num ponto de vista narrativo. Além de ser incrivelmente empolgante, divertido e inteligente na sua proposta. Fazendo até mesmo, comentários políticos. Em determinado momento do filme, os personagens criticam toda a indústria de armas e a hipocrisia da violência inerte em dinheiro que poucos tem ao custo de muitos. Para uma franquia que se vende como apenas guerra espacial, Star Wars demonstra ser muito ambiciosa.

Nota: 8,5
Se quiser saber o ponto que detestei do filme, sublinhe o espaço abaixo.
O ponto que detestei no filme, foi a maneira que apresentaram (e mataram) o Supremo Líder Snoke (Andy Serkis). Um personagem que venderam como o novo Darth Sidious, mas que no fim das contas demonstra ser apenas um vilão mal como um pica-pau. E após toda a paparicada dele no filme anterior, como o grande líder, o cara que usa a força como se nem estivesse tentando: mata-lo sem nos oferecer UM MÍNIMO de background, é ridículo. Por isso, uma cutucada a mais no filme: em "Liga da Justiça" ao menos o vilão tinha uma história. Pois nem isso o Supremo Líder Snoke tem.




sábado, 18 de novembro de 2017

Crítica: Liga da Justiça


Após o fracasso de crítica e público de "Batman vs Superman" (só relembrando que adoro o filme), a Warner e Zack Snyder resolveram mudar o tom dos filmes da DC. Ao invés do tom pesado, denso e sem humor do filme anterior, "Liga da Justiça" seria leve e mais bem humorado. Outro fator que acabou acentuando isso, foi a escalação de Joss Whedon (o diretor dos dois "Vingadores"), após Zack Snyder se afastar para ficar com sua família por conta do falecimento de sua filha. Whedon é um velho conhecido dos fãs de quadrinhos, tendo além de transpor os Vingadores pro cinema, criado a série "Buffy".

A mudança de tom é visível desde a 1a cena do filme, "Liga da Justiça" é uma produção completamente despretensiosa, recheada de aventura e bom humor. Que tem como maior mérito, trazer uma Liga que funciona maravilhosamente bem em cena. Além de apostar em diversos elementos que para o fã de quadrinhos, torna a aventura mostrada extremamente familiar.

O filme mostra Bruce Wayner/Batman (Ben Affleck) em luto por contribuir para a morte de Superman (Henry Cavill), e tentando reunir uma liga para combater a ameça de Steppenwolf (Ciaran Hinds), um ser de Apokolips que busca juntar as caixas maternas para destruir a Terra. Assim, o homem-morcego não mede esforços para ir atrás de Diana Prince/Mulher Maravilha (Gal Gadot), Arthur Curry/Aquaman (Jason Momoa), Barry Allen/Flash (Ezra Miller) e Victor Stone/Ciborgue (Ray Fisher).



Pra quem como eu gostou das discussões éticas e o lado sombrio em "Batman vs Superman", sinto informar que isso foi deixado de lado. Até há uma breve insinuação durante os dois primeiros minutos, mas logo é deixado de lado. No entanto, não pense que o filme é irrelevante na sua proposta. Que muito claramente, busca retratar uma aventura da Liga nos moldes dos quadrinhos clássicos de Jack Kirby ou até os desenhos do Cartoon Network. Assim, cada personagem tem seu tempo em tela bem definido (não há como nos Vingadores, um que fica em destaque e outro que é ignorado), todos eles apresentam traços de personalidade que os distinguem como indivíduos e todos tem um passado claro.

Outro lado interessante de "Liga da Justiça", é a maneira com a qual os personagens interagem entre si. Por exemplo, Batman: até então, o máximo de interação dele mostrada em tela era com Alfred (Jeremy Irons). No entanto, ao mostrar um plano para os membros da Liga, eles não hesitam em confronta-lo. Denotando o caráter extremista da fala, e mostrando outras possíveis soluções para o problema (além é claro, de mais de uma vez a loucura de um cara vestindo-se de morcego pra bater em bandido ser ressaltada por Aquaman). O que não só faz o personagem evoluir, como também ressalta a essência do mesmo. E isso se vale para todos os personagens: Mulher Maravilha tem sua essência pura mas não quer se misturar a humanidade, Aquaman é um rei renegado e que teme se envolver com questões complexas, Flash é um desajustado social e Ciborgue tenta não perder sua humanidade para o lado máquina. Todos eles acabam aprendendo algo ao interagir com o resto da equipe, o que é muito válido.

O grande problema do filme, sem dúvida alguma é o seu vilão. Steppenwolf não é um personagem relevante nos quadrinhos (há algo muito brochante quando lembramos que o antagonista é "o tio do maior vilão da DC". Qual vai ser o próximo? A vó do Darkseid?), e a transposição para as telas foi bastante fiel. Além do personagem não ser carismático, não ter nenhuma motivação além de "perdi a 1a batalha, agora quero vingança", ainda tem um visual incrivelmente genérico. Além disso, ante as interações da Liga e todo o contexto envolvendo o Superman, o espectador não liga pro vilão e seus contornos. Outro pequeno problema que senti, foi a trilha sonora composta por Danny Elfman. Que não chega a atrapalhar, mas tenta utilizar os temas clássicos do "Batman" de 89 e o "Superman" de 78, mas nunca chega de fato a desenvolvê-lo ou toca-lo plenamente (seria sensacional ouvir na íntegra ambos os temas, mas isso nunca ocorre).






Já que falei do homem de aço, é necessário ressaltar: uma das melhores coisas do filme é o Superman. Eu já gostava do retrato de Henry Cavill para o personagem nos filmes anteriores, mas "Liga da Justiça" consegue mostrar uma evolução natural dos dois últimos filmes. Assim, este Superman relembra quando ainda não havia conseguido lidar com seus poderes e o impacto no mundo ante eles ("Homem de Aço"), já superou o fato do mundo querer controla-lo ("Batman vs Superman") e agora se torna o grande símbolo de luz e esperança que o mundo precisa.

Se o leitor conferiu minha crítica de "Thor Ragnarok", sabe que não sou muito fã de quando a comédia no filme de super-herói se torna tão escrachada, a ponto de não ser possível se levar a sério qualquer personagem. Portanto, quando eu soube das piadas presentes em "Liga da Justiça", fiquei apreensivo. Mas curiosamente, o roteiro balanceia muito bem o humor. Estando visivelmente presente, porém de uma maneira que não desvie a atenção da trama. Quase como as produções de Spielberg dos anos 80 ("Indiana Jones", "Gremlins"), ou até mesmo o "Superman" de Richard Donner.

Não nego, adorei "Liga da Justiça". Achei um dos filmes mais resolutos do universo cinematográfico DC, e um blockbuster muito decente. Apesar de contar com um vilão pífio, o carisma dos personagens, o respeito das suas identidades e o equilíbrio do roteiro são bem trabalhados o suficiente para destaca-lo como um dos filmes mais agradáveis do ano. Se você busca se divertir vendo um filme que respeita os personagens da DC, assista "Liga da Justiça".

Nota: 8,5

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Crítica: Pokémon O Filme - Eu Escolho Você!


Pokémon, o anime baseado na franquia de RPGs criada por Satoshi Tajiri, estreou oficialmente no Brasil em Maio de 1999, mais de dois anos depois de sua estreia no Japão. Tendo nascido em 1994, eu ainda estava para fazer 5 anos quando isso aconteceu. Desde que me lembro, Pokémon estava em todos os lugares: na televisão, nas lojas de brinquedos, nos camelôs, dentro dos Guaraná Caçulinha, nos Game Boys, nas cartas, nas bancas de revista (como esquecer de revistas como Pokémon Evolution?) e, principalmente, nas mentes de todas as crianças, jovens, pais e responsáveis da época. Todos sabiam quem era o garoto Ash Ketchum da Cidade de Pallet, que sonhava em se tornar um grande Mestre Pokémon.

Isso se intensificou quando saiu das telinhas de televisão e foi para a sala de cinema. "Pokémon O Filme: Mewtwo Contra Ataca" foi lançado no Brasil em Janeiro do ano 2000. Dirigido por Kunihiko Yuyama, esse primeiro longa-metragem é menos um filme, e mais uma experiência coletiva que permanece vívida até hoje na memória de um grande número de pessoas. Eu, pessoalmente, jamais vou esquecer de estar com meu pai em uma sessão lotada, assistindo ao curta-metragem "As Férias de Pikachu" que precedia o filme, já em prantos por Charizard ter seu pescoço entalado em um cano. É.

As emoções não pararam por aí. "Mewtwo Contra Ataca", depois de nos apresentar um Donphan pela primeira vez em sua introdução, assume um tom sério e melancólico para transmitir uma mensagem complexa de aceitação e paz, pontuada pela música "Brother My Brother" em um momento genuinamente comovente, brutal e desconfortante na qual os Pokémons lutam violentamente contra seus clones mesmo contra a vontade.

Porém, o grande momento do filme é quando Ash se coloca no meio do conflito entre Mew e Mewtwo e é atingido no fogo cruzado e transformado em pedra. Nesse momento, o conflito se encerra e todos os Pokémons presentes se unem em luto até que suas lágrimas trazem o protagonista de volta. É um momento sensível que me desperta emoções até hoje - e sei que não sou o único.


Eu não assisti a todos os mais de 900 episódios do anime, mas mesmo assim não é justo deixar de evidenciar que Pokémon foi - e ainda é - uma enorme parte de mim. Juro que eu até gostaria que fosse menos, assim eu teria economizado o dinheiro da pré-venda de Pokémon Ultra Moon.

Depois de "Mewtwo Contra Ataca", foram realizados mais 19 longas baseados no anime. Desses 19, apenas quatro foram lançados nos cinemas brasileiros: "Pokémon 2000: O Poder de Um" em Julho de 2000; "Pokémon 3: O Feitiço dos Unown" em Abril de 2001; "Pokémon 4: Viajantes do Tempo" em Julho de 2005 e, finalmente, "Pokémon O Filme: Eu Escolho Você!" em Novembro de 2017. Os outros filmes foram transmitidos na televisão pelo Cartoon Network - com exceção do quinto filme "Heróis Pokémon: Latios e Latias" que, por algum motivo, passou na Jetix (hoje Disney XD) - lançados em DVD pela Europa Filmes ou estão disponíveis na Netflix.

(Sim, eu vi todos. Sim, eles são bem ruins em maioria. Menos "Lucario e o Mistério de Mew". Esse filme é do cacete.)



Chegamos então a 2017. Eu, com 23 anos de idade, indo ao cinema assistir a uma sessão limitada de "Pokémon O Filme - Eu Escolho Você", que não apenas é o vigésimo longa-metragem baseado no anime, mas também é uma comemoração pelos 20 anos da estreia do episódio piloto nas televisões japonesas em Abril de 1997.

Novamente dirigido por Kunihiko Yuyama, "Eu Escolho Você", ao contrário dos outros filmes, não acompanha a progressão do anime. Em vez disso, ele reconta os acontecimentos do primeiro episódio, e a partir daí cria uma narrativa inédita com novos personagens, conflitos e inclui Pokémon de todas as gerações ao mesmo tempo que recontextualiza momentos marcantes da série, como o Charmander na chuva do 11º episódio e o adeus da Butterfree que fez muitas crianças chorarem no episódio 21.


O filme conta a história de Ash Ketchum, um garoto que aguarda ansiosamente fazer 10 anos para receber seu primeiro Pokémon e sair em sua jornada para ser o maior Mestre Pokémon do mundo. No fatídico dia, ele acorda atrasado e, quando chega ao laboratório do Professor Carvalho, todos os três Pokémons iniciais já foram levados. Sua única opção, então, é ficar com Pikachu, um Pokémon elétrico que se recusa a obedecer o garoto e a entrar dentro de sua Pokébola. Eis que, por descuido, eles provocam Spearows na área e são brutalmente atacados. Eles então deixam suas diferenças de lado e se protegem. Ao fim da batalha eles vêem Ho-Oh, um Pokémon Lendário, voando pelos céus. Deslumbrados com sua beleza, eles recebem uma pena.

Assim, o garoto descobre que foi escolhido por seu coração puro para levar a Pena Arco-Íris até o topo da Montanha Arco-Íris, permitindo que os poderes de Ho-Oh se espalhem pelo mundo. Um coração impuro poderia corromper a pena e levar tudo ao caos.

Ao lado de Sérgio e Vera, dois jovens carismáticos, ele segue em sua jornada sem saber que está sendo perseguido por Marshadow, um misterioso e sombrio Pokémon fantasma. Eles também precisam lidar com Cruz, um jovem agressivo que maltrata seus Pokémons e a todos a sua volta.

Antes de começar a falar mais a fundo sobre o filme (como se eu já não tivesse enrolado o suficiente), sinto que devo voltar no tempo e retomar um texto que escrevi aqui no blog em Novembro de 2013 sobre The Day of the Doctor, especial de 50 anos de Doctor Who:

"Day of the Doctor no cinema é uma oportunidade única, onde apenas fãs iriam estar lá, onde todos riam, sofriam e vibravam em uníssono e todos queríamos compartilhar nossos sentimentos com aqueles que nos entendem. Não foi apenas um filme, foi um evento, uma comemoração."

Ignorando a escrita ruim desse texto - afinal, eu o escrevi há quase 4 anos - existe um sentimento marcante que posso relacionar à minha experiência em "Eu Escolho Você". Era uma sessão limitada, e todas as pessoas presentes lá tinham o intenso amor por Pokémon em comum.

Lá, todos riam, sofriam e vibravam em uníssono de forma que até os defeitos mais gritantes do filme (e, acredite, existem muitos) geravam reações coletivas tão divertidas que eu falho em lembrá-los como efetivamente ruins.

A estrutura de "Eu Escolho Você" é frágil e problemática, e existe um conflito entre a vontade de contar sua própria história e a necessidade comemorativa de relembrar os momentos marcantes do anime anteriormente citados. Em alguns momentos, o roteiro de Shoji Yonemura encontra soluções elegantes. Por exemplo, introduzindo Cruz como sendo aquele que abandonou o Charmander na chuva. Assim, o espectador já cria uma relação de antipatia com esse personagem inédito e já estabelecendo seu papel de "vilão" nessa narrativa. Existem diversas referências que são feitas com sutileza e não entram no caminho, como a mãe de Vera que é um personagem icônico do anime e dos jogos e aparece apenas por um breve momento em uma foto.

Infelizmente, isso é apenas uma parte em um conjunto que nunca deixa de parecer uma pilha de recortes de momentos desconexos sem nada que os ligue. A temporalidade é confusa - é impossível saber em quanto tempo diegético o filme se passa, e a montagem abusa de fades preguiçosos que tentam, sem sucesso, tapar buracos entre um beat e outro. Isso tudo sem mencionar Jessie, James e Meowth, que não tem qualquer função narrativa no filme e estão lá apenas para despertar a nostalgia.

Mas mesmo com todos esses defeitos, o filme ainda merece créditos por tomar alguns riscos. Não se contentando em colocar Ash como o personagem que sempre conhecemos, o filme o aprofunda e proporciona o que é facilmente o melhor momento do filme. Frustrado e irritado por ter perdido uma batalha, o garoto se afasta de seus colegas e se deixa tomar pela raiva - e é aqui que lembramos que ele, apesar de tudo, ainda é uma criança de 10 anos. Suas emoções começam a corromper a Pena Arco-Íris, e o que acontece a seguir não só é extremamente corajoso, mas realizado com tamanha competência que soa quase como um momento tirado de Neon Genesis Evangelion.


E o clímax. Aah, o clímax do filme. Lembra de quando eu disse lá em cima que até os defeitos mais gritantes do filme geraram reações incríveis na sala de cinema? Então, é principalmente aqui que isso entra. Não que o clímax do filme em si seja ruim. Não. Ele é inclusive muito competente, com um tom de urgência que funciona e é beneficiado pela excelente animação que confere peso e dinamismo para as lutas.

Mas tem um acontecimento - um breve e rápido acontecimento - de tamanha imbecilidade que todos os seres humanos na sala de cinema falharam miseravelmente em conter os gritos de indignação. Não foi mencionar o que foi, mas digo apenas que nada, NADA nesses anos de fã de Pokémon me prepararam para aquilo.

E mesmo assim, esse péssimo momento foi fruto de uma imensa alegria para mim. Se todos estávamos dividindo algo por Pokémon, aquele foi o momento mais espontâneo e visceral de toda a experiência.

Esse ano, me formei na faculdade de Cinema. Nos 4 anos de ensino superior, mudei de ideias e perspectivas inúmeras vezes, e me desiludi e decepcionei muito com a indústria, o mercado e o processo de fazer um filme. E perder a paixão por algo que você ama tanto é uma sensação muito dolorosa. Porém, é em momentos assim que eu lembro de onde vem minha paixão. O Cinema como arte tem uma magia implacável de unir as pessoas em experiências coletivas e memórias universais, e em situações como essa é absolutamente impossível resistir.

"Pokémon O Filme - Eu Escolho Você!" tem pontos altos, pontos baixos e mais pontos baixos. Mas se o propósito era dar um presente de aniversário a nós, fãs, então não posso deixar de bater palmas para todos os envolvidos. Esse vigésimo filme não só é o melhor, como foi também a maior experiência compartilhada em uma sala de cinema eu já tive.

E é pra proporcionar uniões assim que eu ousei fazer Cinema.

Nota: 7/10